Fala, gestor! Aqui é o Júlio César.
Quantas vezes você já estruturou uma ideia bacana para a sua operação, levou para a diretoria e ouviu aquele clássico: “Ah, legal. Vou ver isso aí e depois a gente conversa”? E, claro, nada acontece depois disso.
Essa é uma das dores mais comuns que ouço na nossa comunidade. Muitos gestores chegam até mim dizendo: “Júlio, na teoria é lindo, mas na prática a diretoria não aprova nada, eles não querem investir”.
Mas será que o problema é sempre a diretoria, ou será que a forma como estamos apresentando essas ideias precisa de um ajuste? Hoje, em pleno 2026, com o nível de exigência das empresas lá em cima, não dá mais para chegar na sala do chefe apenas com achismos ou reclamações.
Para ilustrar como virar esse jogo, vou compartilhar os bastidores de um bate-papo muito agregador que tive com o Francisco Vicente, um gestor de frotas que começou na operação como ajudante e hoje gerencia frotas complexas. A trajetória dele nos ensina muito sobre como construir credibilidade, aprovar orçamentos e, o mais importante, ganhar moral com a diretoria.
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O choque de realidade: Por que a diretoria diz “não”?
Quando o Francisco assumiu sua primeira gestão oficial, ele cometeu um erro que 9 em cada 10 gestores iniciantes (e até alguns experientes) cometem: ele chegou com o dever de casa feito, mas falou a língua errada.
Ele levantou o CPK (Custo Por Quilômetro) da frota, que era composta por veículos leves e pesados que transportavam produtos controlados. O diretor da empresa, que havia fundado o negócio, tinha na cabeça uma conta simples: “Para mandar um caminhão daqui para o Mato Grosso, eu gasto uns R$ 500”.
O Francisco, querendo mostrar serviço, colocou tudo na ponta do lápis. Ele não calculou apenas o diesel. Ele incluiu pedágio, hospedagem do motorista, alimentação, depreciação do veículo, custos com guincho e manutenções corretivas no meio do nada.
O resultado? O custo que o diretor achava ser de R$ 2,50 por quilômetro saltou para mais de R$ 8,00. A reação da diretoria foi imediata: “Você está ficando louco! Eu não gasto isso tudo”.
O erro de postura na comunicação
Como a Natalie, que trabalha comigo atendendo centenas de gestores, bem pontuou nessa nossa conversa: o gestor muitas vezes fala a língua da operação, enquanto o diretor fala a língua do negócio.
Se você chega na diretoria falando de placa de carro (ex: “O carro TXM-2174 quebrou de novo”), o diretor não vai se conectar. Ele não sabe qual é esse carro. Ele quer saber do impacto financeiro, do diferencial competitivo e do retorno sobre o investimento.
O Francisco assustou a diretoria porque jogou um volume de dados muito pesado na mesa de uma vez só, quebrando uma crença que o dono da empresa tinha há anos. Não basta apenas jogar os números; é preciso construir uma narrativa, mostrar comparações e apresentar soluções.
A regra de ouro: Você não conquista a diretoria, você conquista a operação
Essa é, sem dúvida, uma das maiores lições que o Francisco compartilhou e que eu assino embaixo. Muitos gestores perdem noites de sono pensando em como agradar os diretores, quando, na verdade, o caminho é o inverso.
A diretoria já te contratou. Eles já depositaram um voto de confiança inicial em você. Quem vai te manter lá e te dar a moral necessária para aprovar projetos é a sua operação.
Se você entende as dores dos motoristas, se você facilita a vida da equipe de manutenção, se você mantém os carros rodando com segurança, a operação flui. E quando a operação flui de forma eficiente, a diretoria nota. O seu trabalho na base é o que pavimenta o seu caminho até o topo.
Como construir confiança na prática (O caso da manutenção de R$ 12 mil)
A confiança é fácil de conseguir no início, mas é muito difícil de manter. Vou dar um exemplo prático de como o Francisco consolidou a confiança do diretor dele com apenas um mês de empresa.
O diretor ia tirar 15 dias de férias e deixou um pedido claro: “Quando a oficina mandar orçamento, não aprove de olhos fechados. Quero que você vá atrás das peças, porque eu quero saber o que estou pagando. Chega de pagar R$ 11.000 sem saber o que tem no carro”.
Logo depois que o diretor viajou, chegou um orçamento pesado para dois veículos que não podiam parar. A oficina cobrou, em valores arredondados, R$ 8.000 apenas em peças, mais R$ 4.000 de mão de obra. Total: R$ 12.000.
O que a maioria faria? Aprovaria rápido para o carro não ficar parado ou travaria a operação esperando o diretor voltar. O Francisco fez diferente:
- Ele pegou o orçamento e desmembrou.
- Foi até uma loja de autopeças de confiança.
- Cotou as mesmas peças (amortecedores, etc.), exigindo qualidade e garantia de fábrica (2 anos).
- O valor das peças caiu de R$ 8.000 na oficina para R$ 3.000 na loja.
Ele precisava da aprovação para fazer o Pix para a loja de autopeças. O financeiro barrou, dizendo que só o diretor poderia aprovar. O Francisco não recuou. Ele mandou uma mensagem objetiva para o diretor (que estava viajando):
“Na oficina custa X. Comprando a peça por fora com garantia de 2 anos custa Y. Temos esse ganho financeiro e o carro volta a rodar rápido.”
O diretor aprovou o Pix de R$ 8.500 (peças de outros veículos inclusas) na mesma hora. Por quê? Porque o Francisco foi direto, não enrolou, mostrou o problema, a solução, a comparação de custos e a garantia. Ele não pediu um favor, ele apresentou uma decisão de negócios lógica.
Cuidado ao mexer nas “feridas” da frota
Quando você começa a investigar a fundo os custos da frota, você vai encontrar esqueletos no armário. E é aqui que a sua moral com a diretoria pode balançar se você não for estratégico.
O Francisco notou que uma Fiorino da frota, com mais de 200 mil km rodados, vivia dando problema. O diretor já estava sem paciência com o carro e questionou o Francisco: “Mas nós trocamos os quatro amortecedores desse carro há três meses, como está quebrado de novo?”
O Francisco tinha apenas um mês de casa, ou seja, aquele serviço tinha sido feito antes dele chegar. Em vez de dar uma resposta vazia ou culpar a gestão anterior sem provas, ele foi investigar.
Ele conversou com o motorista, foi até a oficina que supostamente havia feito o serviço e descobriu a verdade: o carro tinha chegado com pressa, não deu tempo de trocar os amortecedores, e apenas a bandeja havia sido trocada. No entanto, havia uma nota fiscal na empresa dizendo que os amortecedores tinham sido trocados.
Não leve achismos, leve fatos
Se o Francisco chegasse para a diretoria e dissesse: “Acho que a oficina enganou a gente”, ele perderia credibilidade. O diretor ia cobrar a nota fiscal que ele mesmo havia pago.
A dica de ouro aqui é: reúna as informações antes de falar. Não pegue qualquer dado solto achando que vai ganhar pontos com a diretoria apontando um erro do passado. Vá com a informação correta, com provas, notas fiscais, relatos e, principalmente, com a solução de como evitar que aquilo aconteça de novo (como a auditoria de peças que ele já estava implementando).
Como estruturar a sua próxima proposta para a Diretoria
Se você quer aprovar uma premiação para motoristas, a contratação de um sistema de telemetria ou a renovação da frota, siga este roteiro básico que extraímos dessas experiências práticas:
- Entenda o ambiente: Não leve políticas de frota engessadas de outras empresas. Adapte para a realidade atual do seu diretor.
- Fale de Retorno (ROI): Nunca apresente apenas o custo. Se você quer implantar uma premiação de motoristas que custa R$ 2.000 por mês, mostre que a redução de consumo de combustível e multas vai economizar R$ 6.000.
- Seja claro e objetivo: Evite 30 gráficos complexos. Leve o cenário A (como estamos hoje) e o cenário B (como ficaremos com o investimento).
- Tenha a operação do seu lado: Se os motoristas confiam no seu trabalho, a transição para qualquer nova regra ou tecnologia será muito mais suave, e a diretoria sabe disso.
Ganhar moral com a diretoria não é sobre ser o melhor amigo do dono da empresa. É sobre ser o profissional que traz clareza para o caos, que defende o caixa da empresa com unhas e dentes e que baseia suas decisões em dados reais, não em intuição.
FAQ: Perguntas Frequentes sobre Gestão e Diretoria
1. O que fazer quando a diretoria só se importa com o custo de combustível e pneus?
É normal que a diretoria foque nos custos mais visíveis. Seu papel é educá-los gradativamente. Não jogue todos os custos ocultos (depreciação, ociosidade, multas) de uma vez. Comece otimizando o que eles já enxergam (combustível) e, ao apresentar os resultados, introduza aos poucos os outros indicadores de custo por quilômetro (CPK).
2. Como aprovar um investimento se a empresa está cortando gastos?
Em tempos de corte, você não deve apresentar seu projeto como um “investimento”, mas sim como uma “ferramenta de redução de custos”. Mostre exatamente em quantos meses a economia gerada pela sua ideia vai pagar o valor que foi investido.
3. Devo apontar erros da gestão anterior para a diretoria?
Apenas se for estritamente necessário para justificar um custo atual e, mesmo assim, faça isso com dados concretos e provas (notas fiscais, históricos). O foco não deve ser “fulano errou”, mas sim “encontramos este gargalo e aqui está a solução que implementei para que não se repita”.
Se você quer ter os dados corretos nas mãos para nunca mais gaguejar na frente da diretoria, você precisa de tecnologia confiável. Controlar frota no achismo ou em planilhas desatualizadas é o caminho mais rápido para perder a confiança dos seus líderes.
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Este artigo foi baseado no video do canal Julio Cesar | Frota Para Todos. Clique para assistir:
