Aqui é o Julio Cesar. Se você atua no setor de transportes e logística, sabe que em 2026 a margem para achismos simplesmente desapareceu. A operação exige dados, precisão e, acima de tudo, jogo de cintura para lidar com pessoas.
Recentemente, na Live 346 do nosso canal, tive a oportunidade de conversar com o Jonas Lucas, um gestor de frota que atua no segmento alimentício. A trajetória dele é um retrato fiel do que muitos de nós enfrentamos no dia a dia: ele assumiu uma operação com processos defasados, precisou lidar com a resistência de funcionários antigos e, aos poucos, colocou a casa em ordem.
Neste artigo, quero aprofundar os principais pontos que discutimos. Vamos falar sobre a complexidade de uma frota mista, como lidar com a oposição interna ao tentar implementar melhorias, e como a gestão de custos (especialmente o controle de ociosidade e do CPK) separa os profissionais dos amadores.
Conteúdo
O desafio de gerenciar uma Frota Mista
Durante a nossa transmissão, fizemos uma enquete rápida com os gestores que estavam ao vivo. O resultado não me surpreendeu: a esmagadora maioria lida com frotas mistas. Apenas 8% dos participantes responderam que possuem uma frota homogênea.
Mas o que exatamente define uma frota mista no nosso contexto? Ela pode ser mista em dois sentidos principais:
- Tipos de veículos: Uma operação que mistura veículos leves (carros de passeio, utilitários pequenos) e pesados (caminhões toco, truck, carretas).
- Modalidade de posse: Uma operação que utiliza veículos próprios da empresa misturados com veículos locados ou motoristas agregados (terceirizados).
O grande obstáculo aqui é que nem tudo o que você aplica no veículo pesado serve para o leve, e vice-versa. O plano de manutenção preventiva de um caminhão bitruck é completamente diferente de uma van de entregas urbanas. Da mesma forma, a gestão de um veículo locado tem particularidades contratuais e de limite de quilometragem que não se aplicam ao caminhão que é patrimônio da empresa.
Ter uma frota mista exige do gestor uma visão periférica muito bem calibrada. Você precisa de processos distintos e indicadores específicos para cada categoria, caso contrário, o dinheiro da empresa vai escoar pelo ralo sem que você perceba.
Liderança: Como lidar com a resistência da equipe
Um dos pontos mais altos da minha conversa com o Jonas foi sobre liderança e comportamento humano. Quando você assume a gestão de uma frota, ou quando decide implementar um novo sistema ou processo, é quase certo que enfrentará resistência.
O Jonas relatou algo muito comum: funcionários com 8, 10 ou 15 anos de casa que olham para o novo gestor como uma ameaça. Eles pensam: “Quem é esse cara que chegou agora e quer mudar o jeito que a gente sempre trabalhou?”
O erro da “Mente Cauterizada”
Muitos profissionais entram em uma zona de conforto perigosa. Eles acreditam que já sabem de tudo. Na live, contei o caso de uma reunião que tive com uma grande empresa de distribuição de energia elétrica (com mais de 2.000 veículos).
Os gestores do outro lado da mesa rebatiam todas as minhas observações dizendo: “Isso a gente já faz”. Até que eu pedi para eles explicarem como funcionava o programa de incentivo para os motoristas que eles mesmos haviam criado. Resultado? Eles gaguejaram. Não sabiam citar os 5 KPIs principais do programa. Pior ainda: os próprios motoristas não sabiam se estavam batendo as metas no meio do mês, o que invalida completamente o propósito de um programa de incentivo.
Isso acontece quando a gestão se fecha para o novo. Se você não busca ser 1% melhor todos os dias, a operação estagna.
Como conquistar o respeito do time e da diretoria
Se você chegou agora em uma operação ou quer mudar as coisas, o Jonas deixou uma lição clara: não tente mudar tudo no primeiro dia.
Chegar sendo radical e querendo impor novas regras do dia para a noite só aumenta o atrito. As pessoas não entendem de cara. O caminho mais seguro é implementar mudanças gradativas. Você ajusta um processo aqui, melhora uma planilha ali, organiza um checklist acolá.
E como você prova que está certo? Com números.
Você não vence a resistência batendo boca com o funcionário antigo. Você vence mostrando para a diretoria, com dados concretos, que a sua mudança gerou economia ou aumentou a produtividade. Quando a diretoria percebe que o seu trabalho traz lucro e eficiência, você ganha o respaldo necessário para continuar o seu trabalho de estruturação.
Gestão de Custos na Prática: Ociosidade e Alocação
Falando em números e resultados, o Jonas compartilhou dois exemplos práticos de como ele encontrou gargalos financeiros na frota mista que assumiu e como resolveu a situação.
O perigo da frota ociosa para o seu CPK
Quando o Jonas assumiu a gestão, ele notou uma falha grave: a empresa estava contratando fretes terceirizados (caminhões locados) enquanto os caminhões próprios da empresa estavam parados no pátio.
Isso é um erro clássico que destrói o CPK (Custo Por Quilômetro) da frota.
Na gestão de frotas, temos custos variáveis (combustível, pneus, pedágio) e custos fixos (depreciação do veículo, salário do motorista, IPVA, seguro). Se o seu caminhão próprio está parado no pátio, os custos variáveis são zero, mas os custos fixos continuam correndo.
Se um veículo roda pouco durante o mês, o custo fixo dele é dividido por uma quilometragem muito baixa, o que faz o valor do quilômetro rodado ir nas alturas. Ao priorizar o uso da frota própria em vez de pagar fretes extras, o Jonas conseguiu diluir os custos fixos da empresa, gerando uma economia imediata que foi apresentada à diretoria já no primeiro mês de gestão.
É por isso que sempre bato na tecla: olhe para a quilometragem rodada da sua frota nos últimos 90 dias. Se você tem caminhões do mesmo porte, onde um roda 7.000 km/mês e o outro roda 500 km/mês, há uma falha clara de distribuição de rotas e ociosidade.
O veículo certo para a carga certa
Outro ponto de ineficiência encontrado foi a falta de critério na alocação dos veículos. O Jonas percebeu que, muitas vezes, uma carga pequena (por exemplo, 4 paletes) estava sendo enviada em um caminhão Truck, quando caberia perfeitamente em um caminhão Toco ou um 3/4.
O custo operacional (combustível, desgaste, pedágio) de um caminhão trucado é consideravelmente maior do que o de um veículo menor. Enviar um caminhão grande para uma carga pequena é literalmente queimar dinheiro da empresa.
A solução foi criar um fluxo de comunicação com o time de vendas. Ao receber a demanda de carga, o gestor agora analisa o volume e o peso, e decide estrategicamente qual é o modal mais econômico para aquela rota: o carro da empresa, um caminhão 3/4, um toco, ou, em último caso, a contratação de um frete terceiro.
De ajudante a gestor: A importância de conhecer a operação
Para finalizar, a história pessoal do Jonas serve de base para entender por que ele consegue ter essa visão tão clara da operação.
Há cerca de 12 anos, ele olhou para o próprio currículo e percebeu que não tinha uma profissão definida. Decidiu que queria ser motorista de caminhão, mas esbarrou no clássico problema: tinha a habilitação, mas não tinha experiência. Nenhuma empresa entregaria um caminhão na mão dele.
A estratégia dele foi entrar em uma transportadora como ajudante. Puxando paleteira, descarregando caminhão, ele demonstrou dedicação. Em quatro meses, já estava atuando como conferente (com a prancheta na mão). Quando surgiu a vaga para dirigir uma van (categoria B), ele pediu a oportunidade ao gerente operacional.
Essa vivência no “chão de fábrica” é o que forma os melhores gestores. Quando você já esteve do outro lado, descarregando carga ou atrás do volante, você entende as dores dos motoristas. Fica muito mais difícil para a equipe tentar te enganar com desculpas técnicas, e ao mesmo tempo, você consegue criar processos que são realistas para quem está na rua.
Gestão de frotas não se faz apenas atrás de uma mesa olhando para planilhas. Exige compreensão da rota, do peso da carga, do comportamento do motorista e do tempo de manutenção.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é uma frota mista?
Uma frota mista é aquela composta por diferentes tipos de veículos (como carros leves, utilitários e caminhões pesados) ou por diferentes modelos de posse (veículos próprios misturados com locados ou agregados). Ela exige processos de gestão e manutenção específicos para cada categoria.
Como calcular e melhorar o CPK (Custo Por Quilômetro)?
O CPK é calculado dividindo o custo total do veículo (fixos + variáveis) pela quilometragem rodada no período. Para melhorar o CPK, é fundamental reduzir a ociosidade da frota. Veículos parados mantêm os custos fixos altos (como depreciação e salários), encarecendo o custo do quilômetro. Priorize o uso da frota própria antes de contratar fretes terceirizados.
Como lidar com a resistência de motoristas e funcionários antigos?
A melhor abordagem é evitar mudanças radicais imediatas. Implemente melhorias de forma gradual, respeitando o histórico da empresa. Utilize dados e indicadores reais para provar à diretoria e à equipe que as mudanças estão trazendo redução de custos e facilidade operacional, substituindo o “achismo” por fatos.
Por que é importante dimensionar o veículo para a carga?
Utilizar um caminhão de grande porte (como um Truck) para transportar uma carga pequena (que caberia em um Toco ou 3/4) aumenta desnecessariamente os custos com combustível, pedágio e desgaste de peças. Dimensionar corretamente o veículo otimiza a margem de lucro da entrega.
Dê o próximo passo na sua gestão
Se você se identificou com os desafios do Jonas e percebe que a sua operação ainda sofre com falta de dados claros, ociosidade de veículos e dificuldade em medir o custo real de cada rota, é hora de profissionalizar as ferramentas que você utiliza.
Para ter os números na palma da mão e apresentar relatórios incontestáveis para a sua diretoria, conheça o sistema de gestão que centraliza manutenção, abastecimento e telemetria em um só lugar.
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Assista ao Video Completo
Este artigo foi baseado no video do canal Julio Cesar | Frota Para Todos. Clique para assistir:
