Se você acompanha o canal Frota Para Todos, sabe que eu gosto de ir direto ao ponto. Recentemente, na nossa Live 316, discutimos um tema que parece básico, mas que ainda é o calcanhar de aquiles de muitas operações logísticas em 2026: a diferença real entre usar um roteirizador profissional e depender apenas do Google Maps ou de planilhas.

Começamos aquele bate-papo com uma enquete simples. Perguntei qual ferramenta os gestores usavam para definir a rota dos motoristas. O resultado não me surpreendeu, mas me preocupou: 47% responderam que usam o Google Maps. Outra parcela significativa disse que o “motorista define na hora” ou que utilizam planilhas de Excel.

Olha, não me entenda mal. O Google Maps e o Waze são ferramentas de navegação incríveis. Eu uso, você usa. Mas existe um abismo gigantesco entre navegar (ir do ponto A ao ponto B) e roteirizar (planejar a sequência lógica de atendimentos visando custo e produtividade). Se você acha que saber quantos quilômetros sua frota rodou é suficiente, preciso te dizer: isso é apenas o começo. A pergunta de um milhão de reais é: quantos quilômetros a sua frota deveria ter rodado?

Neste artigo, vou compartilhar os insights que debati com a Susana, nossa consultora especialista, e o Alex, desenvolvedor de sistemas, sobre como essa escolha impacta diretamente no seu bolso e na sua produtividade.

Quem define a rota: você ou o motorista?

Durante a nossa conversa, a Susana soltou uma frase que devia estar na parede do escritório de todo gestor de frota: “Se o gestor não define a rota, alguém vai definir por ele. E essa pessoa geralmente não está preocupada com os custos da empresa.”

Quando deixamos a decisão do trajeto 100% na mão do motorista ou apenas jogamos o endereço no WhatsApp dele para abrir no GPS, perdemos o controle sobre variáveis críticas. O motorista, naturalmente, pode buscar o caminho que ele julga mais rápido ou mais conveniente para ele, não necessariamente o mais econômico para a empresa.

Sem um planejamento prévio, você fica no escuro. Você não sabe se ele pegou um caminho 20% mais longo para evitar um trânsito que nem existia, ou se ele fez as visitas numa ordem que obrigou o veículo a cruzar a cidade duas vezes desnecessariamente. O roteirizador serve para tirar esse peso da decisão do motorista. Ele não precisa “pensar” no trajeto, ele precisa executar o serviço com segurança e eficiência.

O problema da planilha e do “dedinho nervoso”

Eu sei que muitos de vocês são faixas-preta em Excel. Já vi planilhas de gestão de rotas que eram verdadeiras obras de arte. Mas vamos ser realistas sobre a escalabilidade disso em uma operação diária.

O Alex, que trabalha no desenvolvimento dessas tecnologias, levantou um ponto crucial: a validação de dados. Numa planilha, o erro humano é quase inevitável. Um dígito errado, uma fórmula quebrada ou, como brincamos, o “dedinho nervoso” que apaga uma linha sem querer, e lá se vai o histórico da sua operação.

Além disso, pense no volume. Se você tem uma frota de 100 veículos fazendo duas rotas por dia, estamos falando de 200 registros diários. Em um mês, são 4.000 rotas. Tentar analisar historicamente onde houve falha, qual motorista desviou do caminho ou qual cliente deixou de ser atendido apenas olhando linhas e colunas é um trabalho hercúleo e pouco produtivo.

A planilha é estática. Ela aceita o que você escreve. Ela não te avisa se o endereço do cliente mudou, se aquela rua agora é contramão ou se o veículo pesado da sua frota não pode circular naquela zona específica em determinado horário.

Planejado vs. Realizado: Onde o dinheiro se esconde

Aqui chegamos no coração da gestão de rotas eficiente. A grande vantagem de um sistema de roteirização integrado à telemetria não é apenas desenhar o mapa bonitinho. É a capacidade de comparar o Planejado vs. Realizado.

Vamos imaginar um cenário prático que discutimos:

  • Cenário: Você planejou uma rota de entregas que deveria percorrer 80 km e levar 4 horas.
  • Execução: O sistema aponta que o veículo rodou 98 km e levou 5 horas.

Se você usa apenas o Google Maps ou o rastreador simples, você vê que ele rodou 98 km. Talvez você ache normal. Talvez o trânsito estivesse ruim. Mas com o comparativo de rotas, você consegue sobrepor o que foi desenhado com o que foi executado.

Você pode descobrir, por exemplo, que o motorista não seguiu a sequência lógica. Ou pior, pode acontecer o inverso: o motorista rodou menos do que o planejado. “Pô, Júlio, mas isso é ótimo! Economizei combustível!” Nem sempre. Na live, mostramos um caso real onde a rota foi finalizada muito mais cedo e com menos quilometragem. Ao abrir o mapa comparativo, vimos três pontinhos isolados onde o trajeto do veículo não passou. Conclusão: três clientes não foram atendidos. Isso não é economia, é falha de serviço.

Ter essa informação visualmente, em uma única tela, sem precisar cruzar três relatórios diferentes, é o que traz agilidade para a tomada de decisão.

Restrições e particularidades da operação

Outro ponto que a Susana lembrou bem é a questão das restrições. Em cidades como São Paulo, temos o rodízio municipal e zonas de restrição para caminhões. Temos clientes no setor de construção civil que transportam máquinas pesadas e simplesmente não podem entrar em certas áreas urbanas.

Um bom roteirizador permite que você configure essas zonas. O sistema já calcula a rota considerando que aquele veículo, com aquela placa ou aquele perfil, não pode passar na Avenida X às 17h. Tentar fazer esse controle de cabeça ou na planilha é pedir para tomar multa.

Integração: Roteirizador e Rastreamento juntos

Na enquete que fizemos, alguns gestores responderam que usam sistemas de roteirização. Isso é ótimo. Mas fiz uma ressalva importante: muitos usam softwares de roteirização que não conversam com o rastreador.

Funciona assim: você planeja a rota num software (o Roteirizador) e acompanha o veículo em outro (o Rastreador). No final do dia, você tem que exportar dados de um lado e importar do outro para tentar bater as informações.

Na minha experiência, sistemas unificados facilitam muito a vida. Quando o módulo de roteirização está dentro da plataforma de gestão de frota, a “mágica” do comparativo acontece automaticamente. Você vê na mesma tela o trajeto ideal (uma linha azul, por exemplo) e o trajeto realizado (o rastro do GPS). As discrepâncias saltam aos olhos.

Isso permite que você gerencie por exceção. Em vez de analisar 100 rotas, você filtra apenas aquelas que tiveram desvio de quilometragem acima de 10% ou que não visitaram todos os pontos. É assim que se ganha produtividade.

Dá para começar hoje?

Muitas vezes, o gestor acha que implementar roteirização é algo complexo, demorado, coisa para multinacional. Mas a verdade é que, em 2026, a tecnologia está muito acessível. Se você já tem os endereços dos seus clientes e sabe quem vai atendê-los, você já tem o insumo básico.

Sair da planilha e do “deixa que eu vou” para um processo estruturado traz previsibilidade. Você passa a saber que horas o veículo deve chegar no cliente, quanto tempo ele deve ficar parado lá (tempo de atendimento) e que horas ele estará liberado para o próximo. Isso melhora até a sua relação comercial, pois você consegue dar previsões mais precisas para o seu cliente final.

Não se trata de vigiar cada passo do motorista por desconfiança, mas de dar a ele a melhor ferramenta de trabalho possível. O roteiro bem feito é um guia que ajuda o condutor a evitar erros, multas e estresse no trânsito.

Se você ainda está nos 47% que dependem exclusivamente da navegação básica, convido você a testar o planejamento. A diferença no final do mês, tanto em combustível quanto em qualidade de serviço, costuma ser notável.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O Google Maps e o Waze devem ser proibidos na frota?

De forma alguma. Eles são excelentes ferramentas de navegação e apoio ao motorista para fugir do trânsito em tempo real. O problema é usá-los como ferramenta de gestão e planejamento. O ideal é que o roteirizador defina a sequência e os pontos de passagem, e o motorista use o navegador para ir de um ponto ao outro.

2. Roteirização serve para frotas pequenas?

Sim. Mesmo que você tenha 5 veículos, se cada um fizer 10 entregas por dia, são 50 atendimentos diários. Otimizar a sequência dessas visitas pode economizar quilômetros valiosos e permitir que você faça mais atendimentos com os mesmos carros.

3. Preciso de um especialista em logística para usar um roteirizador?

A maioria dos sistemas modernos, como o que discutimos na live, é intuitiva. Se você conhece a sua operação e os seus clientes, a curva de aprendizado é rápida. O sistema faz os cálculos complexos para você.

4. Como o sistema sabe se o motorista visitou o cliente?

Através da cerca eletrônica (geofence) e do rastreamento. Quando o veículo entra no raio do endereço planejado e permanece lá por um tempo determinado, o sistema entende que a visita foi realizada. Isso elimina a necessidade de o motorista ficar preenchendo papéis a cada parada.

Quer ver na prática como comparar o Planejado vs. Realizado?

Se você quer sair da planilha e ter controle total sobre as rotas da sua frota, convido você a conhecer a solução que utilizamos como exemplo.

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Este artigo foi baseado no video do canal Julio Cesar | Frota Para Todos. Clique para assistir:


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Autor

O meu nome é Julio César, CEO da Contele Fleet e autor deste blog. Nos últimos 22 anos como empresário, ajudei milhares de empresas a ter sucesso com a gestão da frota, reduzindo custos e aumentando a produtividade.