Esqueça tudo o que você sabe sobre redução de custos na gestão de frotas. É isso mesmo que você leu. Muitas vezes, nós, gestores que estamos no campo de batalha diário, passamos meses ou até anos focados em centavos no preço do litro do diesel. Achamos que estamos mandando bem, a planilha parece bonita, até que um único evento imprevisto leva embora todo o trabalho de economia de um, dois ou até três anos.

Se você acha que o combustível é o maior ralo de dinheiro da sua operação, eu preciso te convidar a mudar essa perspectiva. Na nossa Live 330 no canal Frota Para Todos, eu recebi o Luiz Cláudio Souza, um especialista que atua na área desde 2002 e atual CEO da Flit em Mobilidade. O Luiz trouxe dados reais, exemplos práticos de quem vive a frota no dia a dia, e nós dissecamos o que realmente destrói o orçamento de uma empresa de transportes ou serviços.

Neste artigo, eu vou compartilhar com você os bastidores dessa conversa e mostrar por que você precisa redirecionar a sua atenção hoje mesmo, especialmente agora que estamos em 2026 e a complexidade dos veículos e das operações só aumenta.

A Ilusão do Combustível e a Realidade dos Custos Imprevistos

Para entender onde o calo realmente aperta, nós fizemos uma pesquisa com a nossa comunidade de gestores de frotas (que, aliás, é gratuita e reúne profissionais do Brasil inteiro). A pergunta era simples: O que gera o maior custo imprevisto na gestão da sua frota?

Os resultados foram reveladores e confirmam o que vemos na prática:

  • 1º Lugar (Disparado): Manutenção Corretiva
  • 2º Lugar: Aumento do Combustível (19%)
  • 3º Lugar: Acúmulo de Multas por Imprudência (9%)
  • 4º Lugar: Acidentes e Sinistros

Veja que interessante: o aumento do combustível ficou bem abaixo da manutenção corretiva. Por quê? Porque o combustível, por mais caro que esteja, é um custo previsível. Você sabe quantos quilômetros sua frota roda, sabe a média de consumo e consegue projetar isso no seu orçamento. Subiu para você, subiu para o concorrente. O jogo é igual para todos.

A manutenção corretiva, por outro lado, é um custo imprevisto. Se é corretiva, significa que algo quebrou antes da hora, o veículo parou, a operação atrasou e você teve que desembolsar um valor que não estava no planejamento. E a raiz desse problema, na grande maioria das vezes, não é a qualidade da peça ou o asfalto ruim. É o mau uso do veículo.

Manutenção Corretiva: O Ralo de Dinheiro Silencioso

Durante nosso bate-papo, o Luiz trouxe um caso prático impressionante de um cliente da região de Ibirubá, no interior do Rio Grande do Sul (uma área forte em agronegócio e distribuição de energia). Essa empresa, com uma frota mista de cerca de 200 veículos, conseguiu um resultado que parece mentira, mas é puramente gestão: reduziram o custo de manutenção corretiva anual de R$ 200.000 para R$ 95.000. Eles cortaram o custo pela metade em apenas um ano.

Como eles fizeram isso? Não foi trocando de oficina ou comprando peças de segunda linha. O foco principal foi trabalhar o perfil de condução dos motoristas e o uso correto do veículo.

Vou te dar um exemplo clássico que o Luiz mencionou: a tração 4×4. Muitos motoristas recebem uma caminhonete (como uma Hilux ou S10) e simplesmente não sabem como ou em que momento acionar a tração. Eles usam o 4×4 no asfalto seco, forçam o sistema e acabam moendo o câmbio ou a caixa de transferência. Quando a conta chega para o gestor, é um absurdo de cara. Isso não é desgaste natural; é mau uso por falta de instrução.

Como a Tecnologia Resolve a Falta de Treinamento Técnico

Eu sei o que você está pensando: “Júlio, eu não tenho tempo de dar treinamento técnico para cada motorista que entra, ainda mais quando eles trocam de veículo, saindo de um carro de passeio para um caminhão 3/4.”

Eu entendo. A correria do dia a dia da frota é uma loucura. Mas hoje não temos mais desculpas. Eu compartilhei na live uma tática que venho aplicando e que facilita demais a vida do gestor.

No manual do veículo, existe uma mina de ouro de informações sobre operação correta, luzes do painel e direção econômica. O que nós fizemos recentemente? Pegamos o manual em PDF de um caminhão Mercedes Accelo (um modelo bem comum no Brasil). Subimos esse arquivo em uma ferramenta gratuita de Inteligência Artificial do Google, o Notebook LM.

O comando foi simples: “Me gere um treinamento de direção segura e econômica com base nas particularidades deste veículo e crie um roteiro didático em vídeo.”

O resultado? Em minutos, a ferramenta me entregou um conteúdo completo, equivalente a uma hora de aula, resumido em um formato de 8 minutos focado em como usar o veículo sem quebrar, como entender as luzes do painel e como extrair o melhor potencial daquela máquina. Você pode fazer isso para a sua frota hoje mesmo. Entregar o veículo na mão do motorista sem que ele saiba operá-lo é pedir para a manutenção corretiva explodir.

Multas e Sinistros: A Bomba-Relógio da Sua Frota

Voltando à nossa pesquisa, o último lugar ficou com “Acidentes e Sinistros”. E eu te digo o porquê: a maioria dos gestores simplesmente não sabe calcular o custo de um sinistro.

Como você coloca no cálculo do seu CPK (Custo Por Quilômetro) a previsão de uma batida grave? Não tem como. Às vezes a frota passa dois anos sem nada relevante, apenas pequenos arranhões. E aí, de repente, um único sinistro grave acontece e o custo material, operacional e, infelizmente, humano, destrói qualquer planejamento. É uma bomba-relógio.

E aqui entra um ponto crucial: o acidente não acontece do nada. Ele dá sinais. E o maior sinal de que um acidente está a caminho são as multas de trânsito.

As multas costumam ser vistas apenas como um custo chato que o gestor projeta no orçamento e vai pagando. Mas elas são um sintoma grave. Segundo dados recentes da Polícia Rodoviária Federal, mais de 70% das autuações são por excesso de velocidade.

Pense comigo: se o seu motorista está tomando multas frequentes por excesso de velocidade, o que isso sinaliza para você como gestor?

  1. Ele está gastando muito mais combustível do que deveria.
  2. Ele está desgastando freios, pneus e suspensão muito mais rápido (aumentando a corretiva).
  3. Ele está prestes a bater o carro.

A Pirâmide de Frank Bird e o Comportamento de Risco

Para embasar isso com números, o Luiz trouxe um conceito fundamental para quem trabalha com frotas: a Pirâmide de Frank Bird. Esse é um estudo clássico de segurança que foi adaptado para o trânsito e nos mostra uma proporção assustadora.

A modelagem nos diz que a estatística funciona assim:

  • A cada 60.000 comportamentos de risco (a base da pirâmide);
  • Temos cerca de 3.000 quase-acidentes (aquela freada brusca, o susto);
  • Que geram 30 acidentes reais (com danos materiais);
  • Que culminam em 1 acidente com vítima fatal (o topo da pirâmide).

O que é um comportamento de risco? É exatamente o que a telemetria capta. É o excesso de velocidade (seja 20% ou 50% acima do limite), é a curva acentuada, é a aceleração brusca. Independentemente da gravidade no momento, o motorista está assumindo um risco.

O grande erro da maioria das empresas é trabalhar “abaixo da linha da sorte”. Ou seja, elas não monitoram a base da pirâmide. Elas esperam o acidente acontecer para tomar uma atitude. Quando você acompanha indicadores de dirigibilidade e age sobre as multas e excessos de velocidade, você está atuando na base da pirâmide, evitando que os 30 acidentes e a fatalidade aconteçam.

Para reforçar a urgência disso, o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) aponta que 98% dos acidentes de trânsito são causados por negligência humana. Quase sempre, a causa raiz é a decisão que o motorista tomou atrás do volante. E esse é um buraco sem fundo em termos de custos para a sua empresa.

Como Mudar o Jogo na Prática

Gerir frota é aquele “bichinho que morde” a gente, como brincamos na live. É difícil sair da área porque, apesar dos desafios, é um setor onde ações simples e bem direcionadas geram resultados gigantescos. Ver a qualidade de vida do motorista melhorar e os custos despencarem é o nosso combustível diário.

Se você quer parar de sangrar dinheiro com custos ocultos, o primeiro passo é fazer um diagnóstico honesto:

1. Identifique onde dói mais: Faça um ranking dos seus centros de custo. Mobilização, combustível, manutenção corretiva, pneus, multas e sinistros.

2. Busque a causa, não apenas trate a consequência: Se o seu custo por quilômetro (CPK) de combustível está mais alto que o do seu colega de profissão (faça benchmarking!), a culpa não é do posto de gasolina. A causa, muito provavelmente, está no comportamento do seu condutor.

3. Invista na base da pirâmide: Utilize ferramentas como o Contele Fleet para monitorar o comportamento de risco. A telemetria não serve apenas para saber onde o carro está, mas sim como ele está sendo conduzido. Tratar o excesso de velocidade hoje é evitar a manutenção corretiva de amanhã e o sinistro da semana que vem.

4. Treine continuamente: Use a tecnologia a seu favor, como a dica do manual com Inteligência Artificial, para orientar seus motoristas sobre o uso correto de cada equipamento.

Conclusão

O maior custo da sua frota não é o combustível. O combustível é o custo que você vê e consegue prever. O verdadeiro ralo de dinheiro está na manutenção corretiva gerada por mau uso, nas multas que indicam imprudência e nos sinistros que destroem o caixa e vidas.

Foque em gerenciar comportamentos. Entenda que o motorista é a peça central dessa engrenagem. Quando você educa, monitora e corrige desvios na base da pirâmide, a economia em combustível, peças e dores de cabeça vem como uma consequência natural.


FAQ (Perguntas Frequentes)

Qual é o maior custo imprevisto em uma frota de veículos?

De acordo com pesquisas com gestores e dados de mercado, a manutenção corretiva é o maior custo imprevisto. Ela geralmente é causada pelo mau uso do veículo e pela falta de treinamento adequado dos condutores, gerando paradas não programadas e troca prematura de peças caras.

Como as multas de trânsito impactam os custos ocultos da frota?

As multas, especialmente as de excesso de velocidade, são um indicativo claro de comportamento de risco. Um motorista que corre mais do que o permitido consome mais combustível, desgasta freios e pneus mais rapidamente e tem uma probabilidade altíssima de se envolver em acidentes (sinistros), que representam custos altíssimos e imprevisíveis para a operação.

O que é a Pirâmide de Frank Bird na gestão de frotas?

É uma modelagem estatística que mostra a relação entre comportamentos de risco e acidentes graves. Na frota, ela indica que a cada 60.000 comportamentos de risco (como excessos de velocidade captados pela telemetria), ocorrem cerca de 3.000 quase-acidentes, 30 acidentes reais e 1 acidente fatal. Monitorar a base ajuda a evitar o topo da pirâmide.

Como treinar motoristas para evitar a manutenção corretiva?

Além de treinamentos práticos, uma tática moderna é utilizar os manuais dos veículos integrados a ferramentas de Inteligência Artificial (como o Notebook LM) para criar roteiros em vídeo rápidos e didáticos. Isso ajuda o motorista a entender as particularidades do veículo (como o uso correto do 4×4 e luzes do painel), evitando quebras por operação incorreta.


Quer parar de contar com a sorte e começar a gerenciar o comportamento dos seus motoristas de forma profissional, atacando a raiz dos maiores custos da sua operação? Conheça o Contele Fleet e descubra como a nossa tecnologia pode ajudar você a ter previsibilidade, segurança e economia real na sua frota.

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Este artigo foi baseado no video do canal Julio Cesar | Frota Para Todos. Clique para assistir:


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Autor

Sou Julio César, CEO da Contele Fleet e criador do canal e método "Frota Para Todos" (+32k inscritos!). Há 23 anos ajudo milhares de empresas a reduzir custos e lucrar mais através da gestão de frotas, lives semanais e mentorias.